As vozes parecem caladas ultimamente, mas não, elas só mudaram de assunto. Elas continuam me dizendo muuuiita coisa, talvez até mais do que antes. Realmente pensei as vozes estivessem num período baixa atividade, mas descobri na verdade, eu vinha dando tanta atenção às vozes externas que as que moram na minha cabeça não têm tido vez. Elas continuam sim se manifestando, e muitas vezes, divergem entre si.
Cada dia, é uma montanha-russa de emoções. Hoje eu posso falar (ou escrever, no caso), porque já estou vendo outras formas de ver, e a montanha-russa não está mais tão cheia de loopings. Começo a perceber todas as transformações que estou vivendo com um certo distanciamento: eu me assisto ficar mais tranquila e segura a cada dia! Ainda assim, numa mesma página do calendário posso achar que ser mãe é a melhor coisa, e que finalmente entendo o que estou fazendo aqui, e mais tarde, não acreditar que me deixei entrar nessa furada, ainda mais sabendo que é pra sempre e não tem como desistir. Talvez por isso, eu tenha começado um ou outro post que acabei não terminando, até porque depois de um tempo, coisas que ouvi ou senti e que me angustiaram já perderam o sentido, e sentimentos de meia hora atrás já me parecem muito alheios.
Comecei, por exemplo, a escrever sobre a primeira situação social com o bebê. Aniversário de dois aninhos do primo dela. Se por um lado foi ótimo sair de casa, por outro eu estava morrendo de agonia, inclusive – e talvez até principalmente – das pessoas. Uma desconhecida me perguntou se eu estava grávida (não, porra! já pari! Você jura que não dá pra perceber? E vc é quem mesmo????) e apesar de até então eu estar me sentindo super bem, e até já ter diminuido um tamanho da cinta pós-parto já naquela altura, me senti no mínimo decadente. Outra estranha falou, de brincadeira, é claro, que eu era uma mãe desnaturada (!?). Quando ela me perguntou quantos dias tinha o bebê, eu precisei fazer conta e fiquei meio na dúvida, e isso fez de mim uma má-mãe, pq segundo ela, “que tipo de mãe não sabe há quantos dias tem seu bebezinho?”. Tudo num tom amistoso, cheio de sorrisos, na melhor forma que a figura encontrou para ser simpática. Nem consegui esboçar qualquer reação, fiquei arrasada (e ela percebeu). Mesmo com toda a minha energia concentrada em torno de manter a menininha bem alimentada, saudável, limpa, segura e bem cuidada, não pude deixar de ouvir aquela voz me julgando e me dizendo que falhei. Hoje, veria este tipo de incidente de outra forma.
Poucos dias depois deste evento, numa terça de aniversário da querida Régis, comecei este post, bem interessante, e por sinal, ainda atual. Ele dizia que “as vozes quase me enlouqueceram nos últimos meses, tanto que tomei chá de sumiço, me escondi na caverninha e só agora estou saindo da toca. Uma coisa uqe elas vem me ensinando, no entanto, é que ser mãe pode ser um bocado opressor, mas não precisa. Cada dia, um novo aprendizado, a cada aprendizado novo pode ser um tanto libertário, no sentido de que me afasta dos mitos e estereótipos que as vozes enfiaram na minha cabeça.
Estive pensando no significado de ’sair da toca’ e vi um sentido muito simbólico, porque realmente depois de parir a gente fica meio animal.” Bacana esse textinho. Era um dia em que eu tava vendo sentido nas coisas.
gosto de te ler.q bom q voltou”"
amiguinha, só vim dizer que te amo!
bjos
Amigaaa! Só pra plagiar a Gi e dizer que te amo, também! Beijão escandinavo pra você!
Melhor que ser surda, né? Uahahahaha.
Ao que me parece, você é uma excelente mãe. Sinto Sofia muito feliz e saudável no lar que a acolheu.
PS: Aproveita que ela está cada vez mais cheia de destreza e ensina ela a dar o dedinho. Todo mundo vai achar tão fofo…